Reflexão para o Dia da Árvore

(Quando as Nuvens Dançam – Reflexões de Quarta-Feira)

Todos sabem de onde vem o papel. É muito interessante pensar que toda a informação relevante para a humanidade inteira foi preservada graças às árvores. Todas as grandes conquistas da humanidade, tudo que sabemos hoje em dia, só pôde ser ensinado por causa dos livros. A cultura e a mente, até mesmo de quem nunca abriu um único livro, é literalmente formada pelos conhecimentos de todas as gerações que nos antecederam. Ainda que hoje tenhamos opções mais sustentáveis para reter informações, nada disso seria possível sem o que foi antes. Devemos às árvores aonde chegamos como civilização, mas será que é só isso?

Sabemos hoje, por exemplo, que as árvores são seres altamente tecnológicos. Elas recarregam aquíferos através de suas raízes, devolvem milhares de litros de água em forma de umidade para a atmosfera, evitam catástrofes como tufões e tempestades, tiram o dióxido de carbono do ar, capturam os gases tóxicos e produzem oxigênio, auxiliam na diminuição da temperatura, se comunicam e cuidam de toda a comunidade de árvores através de redes formadas por fungos, oferecem frutos deliciosos, diminuem a poluição sonora, evitam a erosão do solo, deixam as cidades e a vida muito mais lindas e sua presença proporciona imenso bem-estar. Elas literalmente nos dão de beber física, mental e emocionalmente.

Sidarta Gautama, o fundador do budismo, atingiu a iluminação sentado sob a sombra da assim chamada Árvore de Bodhi, uma fícus religiosa de tronco escultural, cujos figos são muito apreciados por pássaros. Ela atrai vespas polinizadoras e forma grande quantidade de sementes. Em um mundo antropocentrista, nunca se deu muita atenção a esse detalhe da história de Buda, mas e se fosse mais importante do que imaginamos? E se o último e maior mestre dele tiver sido a árvore sob a qual se sentou? Para quem estuda o budismo ou simplesmente para quem se estuda e já fez amizade com algum indivíduo arbóreo, não deve ser muito difícil perceber que, para sermos felizes, basta aprendermos a ser plenamente a árvore que, no fundo, todos já somos.


Ler outras “Reflexões de Quarta-Feira” no site da escritora AntonellaYllana.com

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