Salve salve Verdejantes!

A nossa recém formada associação Verdejar d’Ajuda, após cinco anos de idas e vindas com o firme propósito de plantar árvores e consciência ambiental, não só em Arraial d’Ajuda, mas em toda Costa do Descobrimento, entra numa nova fase. Nosso website www.verdejardajuda.org recém lançado, é uma plataforma para nos comunicarmos com a comunidade sobre o andamento dos projetos e outras reflexões, oferecendo a quem sentir e puder a possibilidade de se engajar e participar de várias maneiras. Recentemente, formamos um grupo de pessoas que escreverão sobre diferentes assuntos relacionados a ecologia, ativismo, plantios, árvores, projetos da associação, dissertações, etc. numa linguagem simples que, além de inspirar, será um convite às pessoas a seguir nossos conteúdos, refletir e apoiar nossos projetos e mutirões.

Neste primeiro ensaio, gostaria de me apresentar. Meu nome é Ixtaliy Nagual, peruana de nascimento, artesã e viajante, há mais de 15 anos morando no sul da Bahia. Sou massoterapeuta, instrutora de meditação e yoga, fundadora da agência virtual de serviços relacionados ao bem-estar, a Corpo e Alma d’Ajuda, aqui em Arraial, agência que procura dar visibilidade e facilitar o acesso dos visitantes e moradores a serviços que fazem bem ao corpo e a alma, tais como massagens, aulas de yoga e meditação, astrologia, tarot, etc. Uma parte significativa do benefício que a agência obtém através da terceirização de serviços, que gera renda e qualidade de vida na comunidade, é destinada para a associação, para sustentar nossos projetos. 

Escolhi Arraial (ou fui escolhida? Sempre cabe essa dúvida…) pela sua beleza natural, sua tranquilidade, seu posicionamento estratégico, seu ritmo pausado, que nos reensina o valor do tempo, especialmente aos provenientes de grandes metrópoles como é o meu caso, (8 anos em São Paulo, 5 anos em Buenos Aires, 8 anos em Bogotá), sua diversidade cultural, seu ar cosmopolita. Apesar do lugar ser tão pequeno, ele é rico em opções, sua gente é sorridente e simples. Aqueles que chegaram de fora com suas ideias e propostas, fazem deste lugar um destino super especial e rico, graças a esta fusão socio-cultural. Meus filhos maiores Flor e Aguila cresceram aqui, a caçula Lola aqui nasceu. 

O tempo, a vida foi passando e um dia percebemos com muita tristeza e já tarde que a camada verde que nos diferenciou sempre de Porto Seguro, cabeça do municipio, do outro lado do rio Buranhém, nosso manto de Mata Atlántica remanescente, estava sendo devastado velozmente pelo negócio imobiliário. Terrenos amplos onde antes havia uma casa de tamanho mediano ou pequeno e jardins frondosos e sombreados pela floresta original, começaram a ser revendidos e\ou transformados em condomínios de quatro, seis ou mais casas de concreto, todas iguais, (de gosto questionável), numa velocidade assustadora. Para tal, o método foi suprimir as árvores, às vezes centenárias , deixando uma sensação de calor e desproteção muito fortes em quem aqui nasceu, chegou e viveu nos últimos 30 anos. A percepção não foi só minha, claro, mas de muita gente daqui e, graças a um post da Antonella Yllana, grande amiga, escritora, co-fundadora do Verdejar, um grupo se uniu para agir em vez de reclamar. Foi o começo de uma jornada de muita aprendizagem, de atrair pessoas que nao conheciamos mas que simpatizaram de imediato com a causa em questão, que posso resumir em uma frase: 

“E se usarmos nossa energia, tempo e amor pelo lugar para plantar, reflorestar, arborizar, nos re-educar para ensinar, criar consciencia e SER essa mudança que tanto almejamos para o mundo, ao invés de reclamar olhando este desastre acontecer diante de nós, sentados nas nossas confortáveis cadeiras?” 

E assim nasceu nosso coletivo, o Verdejar d’Ajuda, que rapidamente atraiu alguns biólogos, ambientalistas, gente de diferentes culturas e procedências, mas todos com uma certeza bem clara: Plantar é preciso! E urgente! Rapidamente percebemos que haveria muitas dificuldades. Trabalhar como voluntários sem recursos financeiros não tem sido simples nem fácil para a maioria de nós. Germinar sementes e plantar mudas pode até ser simples e divertido, mas ver elas vingarem e crescerem até poderem se manter em pé por si mesmas não é tão evidente como nos pareceu num primeiro momento. Uma árvore nos primeiros anos leva tempo, muita água e dedicação. O entusiasmo inicial foi se apagando em vários e, assim como muitos vieram até nós, já muitos desistiram. Só a garra e tenacidade de alguns dos fundadores e outros seres de luz – os atuais associados e alguns apoiadores fiéis, possibilitou que este broto de vida e consciência, este projeto tão importante para a comunidade, crescesse apesar dos inconvenientes e dificuldades. 

Graças ao Verdejar estão crescendo as quase 1000 árvores já plantadas em vários frentes, lugares e eventos. E vamos plantar muitas, muitas mais!!! Plantar árvores, afinal, é um ato generoso e visionário, é algo que fazemos para as gerações futuras e não traz resultados imediatos, o que numa sociedade veloz e gananciosa, como a nossa é, em geral, parece pouco produtivo ou importante, utópico até. Más não desanimamos! Ao contrário! Os reveses têm nos ajudado a ser resilientes, mais fortes e organizados. Há um longo caminho a percorrer, trabalho a fazer e gostaríamos muito que mais pessoas participassem deste ato vital para nosso lugar, nosso mundo, nosso presente e nosso futuro. Levo esta mensagem e porto está bandeira por onde vou. Como sementes de consciência e visão, planto-as no coração de quem me ouve com um pouco de atenção. Há tantas formas de participar e somar neste trabalho lindo, como galhos há numa árvore que cresce saudável, robusta e forte! 

Escreverei sobre isto na próxima matéria.

Um abraço verde e frondoso para os que até aqui chegaram e até a próxima!

Ixtaliy Nagual

Co-fundadora do Coletivo Verdejar d’Ajuda

www.corpoealmadajuda.com.br

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